Probabilidades -
Por que devemos criar cronogramas probabilisticos ?

  • Riscos são eventos incertos que podem afetar os projetos de maneira positiva ou negativa.
  • Toda e qualquer atividade de projeto está sujeita a desvios em relação as suas estimativas originais de tempo ou custo por razões que podem não estar sob nosso controle, mesmo se tivermos um intenso planejamento e resposta aos riscos.

O mundo real é infinitamente mais complexo do que um jogo de dados:
Mesmo em um ambiente controlado, com duas únicas variáveis (2 dados)
não temos a capacidade de prever o futuro.

  • O presente exercício demonstra a diferença entre resultados esperados e obtidos com o uso de 2 dados. Visto que todos os possíveis valores a serem obtidos com cada lance de dados são conhecidos, podemos criar uma tabela de distribuição de probabilidades.

  • Quanto mais vezes os dados forem jogados, maior a tendência de que os resultados obtidos se aproximem da distribuição de frequência esperada. Ainda assim, não importa quantas vezes os dados forem atirados a probabilidade de que o total de resultados lançados seja igual aos resultados esperados é praticamente nula.
  • Nos primeiros lançamentos, é muito mais provável que os resultados sejam totalmente diferentes do esperado (figura 2). Uma das razões (a mais óbvia) é que o gráfico de resultados esperados foi elaborado considerando um mínimo de 12 jogadas e antes de alcançarmos esta quantidade não há como distribuir os resultados dentro do gráfico da forma adequada nem que os resultados sejam exatamente os desejados (há menos números sorteados do que esperados).

  • Ao chegarmos em uma quantidade de lançamentos próxima do planejado, os resultados começarão a se aproximar da distribuição esperada, com prováveis picos em um ou outro ponto do gráfico.

  • Com o passar do tempo, somando-se N jogadas, cada vez mais poderemos ter resultados próximos ao esperado. A quantidade de desvios dentro de uma amostra conhecida começa a ser - em termos de distribuição de sua frequência - menos comuns do que os resultados conforme a probabilidade calculada inicialmente.
  • Ainda assim, nem que possamos jogar os dados infinitas vezes, teremos a capacidade de obter resultados conforme as estimativas originais.

Quando lidamos com estimativas em projetos
mesmo quando temos um enorme histórico de resultados
já obtidos em projetos praticamente iguais, nossas chances de
conseguirmos prever o futuro e acertar com as estimativas é muito pequena.

  • Aproximações matemáticas e análises históricas em centenas de projetos demonstram que um Cronograma Determinístico (desenvolvido com uma única duração estimada para cada atividade) tem entre 25% a 35% de probabilidade de ser alcançado no prazo previsto com sucesso. (Liberzon, 1° Seminário de Riscos do DF, 2006).

  • Uma das principais razões para este fenômeno é por que além de estarmos trabalhando apenas com médias que já possuem uma variação esperada, temos que obter os resultados conforme uma cadeia préviamente estabelecida (sequencia obrigatória entre atividades) e ainda há fenômenos relacionados ao comportamento humano que faz com que ganhos em durações de atividades sejam desperdiçados e que as perdas sejam propagadas para as atividades seguintes.

Curva Beta
A Lei de Murphy

  • Durações em projetos podem variar do limite técnico da atividade (o menor tempo em que pode ser executada dentro das melhores condições possíveis) e o infinito. Isso quer dizer que há sempre muito mais chance de que o desvio seja em relação a um desempenho negativo do que positivo.

  • Uma representação adequada dos atrasos possíveis na duração de uma tarefa podem ser representados pela Curva Beta:
  • No extremo esquerdo, quase sem nenhum percentual de chance de ocorrer, temos os valores OTIMISTAS para as atividades. No extremo direito temos os valores PESSIMISTAS, cuja probabilidade diminui em direção ao infinito.
  • A "área" da Curva Beta entre um valor "Otimista" e "Mais Provável" é menor do que a "área" da Curva entre o valor "Mais Provável" e o "Pessimista".

  • Na ilustração, a data 17/01 tem probabilidade de ocorrência de 1%. A data mais provável seria 24/01 e portanto a área da Curva Beta do dia 17/01 ao dia 24/01 tem 50% da frequëncia de probabilidade de que os eventos aconteçam dentro desta faixa numérica. No extremo direito, com cerca de 99% de probabilidade de ocorrência temos o valor correspondente a duração pessimista de uma determinada atividade.

  • Assim, diz-se que a atividade irá terminar em 24/01 com 50% de probabilidade de sucesso ou irá terminar em 03/02 com 99% de probabilidade de sucesso. Pela natureza da curva, é impossível se calcular a duração da atividade com 100% de probabilidade de sucesso.

Cronogramas Probabilisticos

  • PERT é um dos mecanismos conhecidos para o desenvolvimento de Cronogramas Probabilisticos. Ele irá ampliar as chances de sucesso de um projeto em relação à mesma rede criada com CPM (Critical Path Method) por que irá reconhecer a importância do acaso e preparar as atividades a suportarem algum grau de desvio em função de probabilidades de sucesso.
  • A aplicação de Monte Carlo (simulações) também poderão dar a equipe de projetos um entendimento da natureza dos riscos e resultados simulados poderão indicar a data mais provável de finalização de um projeto com base a um percentual de confiança pré-estabelecido.
  • Ainda assim, nenhuma das duas técnicas estabelece um mecanismo consistente para o acompanhamento do projeto em função de contínuos replanejamentos, durante toda a vida do projeto. O que de fato temos é a geração de um cronograma determinístico (baseado em um único ponto) cujo cálculo deste ponto foi feito em função de uma análise de probabilidade. Ou seja, com o uso de PERT ou MONTE CARLO em suas aplicações habituais o resultado é um "Cronograma baseado em cálculo de probabilidades" e não um "Cronograma Probabilistico".
  • O Método SDPM - Success Driven Project Management - baseado na experiência soviética com otimização de cronogramas e desenvolvimento de redes baseado em restrições de recursos entre as décadas de 60 a 80, foi apresentado no início de 1990 por Vladimir Liberzon (The Spider Team, Rússia) e vêm sido aplicado em centenas de projetos de médio e grande porte, ultrapassando investimentos de USD 100 bilhões de dólares em projetos onde os princípios de SDPM foram aplicados.

  • Em SDPM, o projeto é criado com três cenários distintos e é mantido durante todo o ciclo de vida do projeto em função destes cenários. O cálculo de probabilidade de sucesso de se atingir uma meta em termos de datas ou custos é então realizado a cada nova medição de avanço de projeto.
  • A introdução as princípios de SDPM foi feita no Brazil por Vladimir Liberzon em junho de 2006, durante o 1° Seminário de Gerneciamento de Riscos do Distrito Federal. O primeiro trabalho apresentado no Brasil em eventos do PMI aconteceu durante o VI Seminário Internacional de Gerenciamento de Projetos ("Rumo a Novas Fronteiras"), em um trabalho desenvolvido por Russell Archibald (PMI Founder, EUA), Vladimir Liberzon (Rússia) e Peter Mello (Brasil).

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